A Igreja Católica na Idade Média

As constantes guerras de conquista na Europa Ocidental, no período da Idade Média, atingiram profundamente a Igreja, que era então mais uma força política do que uma extensão do Reino de Deus na terra. 

O papa tornara-se o senhor absoluto da Igreja que se estendia por todo o território do antigo Império Romano. Aquele que antes dependia só de Deus tornara-se agora um negócio de homens.

O declínio moral e espiritual pelo qual passava a Igreja no período da Idade Média refletia-se em todos os seus aspectos em todos os lugares. Veja, por exemplo, a situação da Igreja na França, nos séculos VII e VIII, antes de Bonifácio, o missionário inglês, introduzir nela um pouco de decência e ordem.

A maioria dos sacerdotes era constituída de escravos foragidos ou criminosos que alcançaram a posição sacerdotal, sem qualquer ordenação. Seus bispados eram considerados como propriedades particulares e abertamente vendidos a quem oferecesse mais.

O arcebispo de Ruão não sabia ler; seu irmão de Treves, nunca fora ordenado. Embriaguez e adultério eram os menores vícios de tal credo que havia apodrecido até a medula.

Não há nenhum exagero em dizer que por toda a Europa, o número de sacerdotes envolvidos com escândalos era bem maior que os de vida honesta. Não somente prevalecia a ignorância e o abandono de seus deveres para com as paróquias aos seus cuidados; tais “sacerdotes” eram acusados de roubo e venda dos ofícios. O próprio papado, por mais de 150 anos, a partir de 890, foi alvo de atos altamente vergonhosos e vis.

O ofício antes honrado por Gregorio I e Nicolau foi alvo de toda sorte de miséria, alguns dos que ocuparam o trono papal foram acusados dos mais detestáveis crimes. Durante anos, uma família de mulheres ímpias dominou o papado que era entregue a quem elas queriam.

1. Concílios Ecumênicos

» III Constantinopla (680): Doutrina das duas vontades de Cristo;
» II Nicéia (787): Sancionou o culto das imagens.
» IV Constantinopla (869): Cisma final entre o Oriente e o Ocidente. Foi este o último ecumênico, os posteriores foram apenas romanos.

2. Concílios Romanos

» Roma (1123): Decidiu que os bispos seriam nomeados pelos papas;
» Roma (1139): Esforço por remediar o cisma entre o Oriente e o Ocidente;
» Roma (1179): Para fazer vigorar a disciplina eclesiástica; » Roma (1215): Para cumprir as ordens de Inocêncio III.
» Leão (1245): Para resolver a contenda entre o Papa e o Imperador;
» Leão (1274): Novo esforço para unir o Oriente e o Ocidente;
» Viena (1311): Suprimir os templários;
» Constança (1414-18): Para remediar o Cisma Papal. João Huss, reformador Tcheco foi executado e morto na fogueira.
» Basiléia (1431-49): Pãra reformar a Igreja (doutrinas, dogmas etc.);

» V Roma (1512-18): Outro esforço pró-reforma.

3. O Monasticismo e o Maometismo

a) O Monasticismo
O movimento começou no Egito com Antônio (250-350) que vendeu suas propriedades, retirou-se para o deserto e viveu solitário. Multidões seguiram o seu exemplo. Chamavam-se “mocareta”. A ideia era ganhar a vida eterna escapando do mundo e mortificando a carne em práticas ascéticas.

O movimento espalhou-se até a Palestina, Síria, Ásia Menor e Europa. No Oriente cada um vivia em sua própria caverna, ou cabana, ou em cima de um pilar. Na Europa viviam em comunidades chamadas mosteiros, dividindo o tempo entre o trabalho e os exercícios religiosos. Tornaram-se numerosos, surgindo muitas ordens, frades e freiras.

Aos mosteiros da Europa coube a realização do melhor trabalho que a Igreja da Idade Média fez no tocante à filantropia cristã, literatura, educação e agricultura. Quando, porém, essas ordens se tornavam ricas, caíam em grosseira imoralidade.

A Reforma, nos países protestantes, deu cabo dessas ordens, e nos países católicos foram desaparecendo.

b) O Maometismo

(1) Maomé

Nasceu em Meca, 570 d.C. neto do governador, ofício que teria de exercer, se não fosse usurpado por outro. Quando moço, visitou a Síria, entrou em contato com cristãos e judeus, encheu-se de horror pela idolatria.

Em 610 declarou-se profeta, foi repelido em Meca, em 622 fugiu para Medina, aí foi recebido; tornou-se guerreiro e começou a propagar a fé pela espada; em 630 tornou a entrar em Meca à frente de um exército, destruiu 360 ídolos e ficou entusiasmado com a destruição dessa idolatria, morreu em 632.

(2) Rápido Crescimento

Em 634 a Síria foi vencida, em 637 Jerusalém, em 638 o Egito e em 711 a Espanha. Assim, dentro de pouco tempo toda a Ásia Ocidental e o norte da África, berço do cristianismo, tornaram-se maometanos.

Maomé surgiu num tempo em que a Igreja se paganizara com o culto de imagens, relíquias, mártires, santos e anjos; os deuses da Grécia haviam sido substituídos pelas imagens de Maria e dos Santos.

Em certo sentido o maometismo foi uma revolta contra a idolatria do “Mundo Cristão”, castigo de uma Igreja corrupta e degenerada. Em si mesmo, porém, foi um flagelo pior para as nações por ele vencidas.

É uma religião de ódio, foi propagada pela espada; incentivou a escravatura, a poligamia e a degradação da mulher.

4. Carlos Magno e o Papado

Carlos Magno (738-814) destruiu o Império dos Lolardos em 773, confirmou-o e aumentou os estados papais e se declarou “Rei da Itália”. Foi coroado imperador do “Santo Império Romano” pelo Papa1 Leão III. O reino compreendeu a maior parte da França e quase toda a Alemanha, a Suíça, a Itália e outros estados modernos.

Os missionários católicos tinham apoio das armas civis para exterminar a heresia e o paganismo. A Igreja hesitou em empregar medidas violentas quando falhavam os meios moderados. A Santa Igreja Romana e o Santo Império Romano foram considerados partes homogêneas e o objetivo de um era o alvo de outro - a conquista e o domínio do mundo inteiro.

Foi verificada a ideia do Império Romano com o título de “Santo” Império Romano, que existia ao lado e com igual poder sujeito a “Santa” Igreja Católica. Pode-se dizer que entre o papa e o imperador existia a mais leal solidariedade no duplo governo do mundo. Com o tempo, mais duas teorias surgiram:

1. Que o imperador era superior ao papa nas coisas seculares.

Os advogados desta teoria apelaram tanto para as Escrituras como para a história.

2. Que o poder temporal era subordinado ao espiritual mesmo nas coisas seculares.
A contenda entre os partidos das duas teorias causa uma constante guerra entre si, isto é, os papas e os imperadores durante séculos. Assim, Carlos Magno, apesar de ser coroado pelo papa trabalhou independentemente dele em muitos sentidos.

Por sua morte, sucedeu-o seu filho Luiz, o Piedoso (811-840) o que deixou desaparecer a unidade e grandeza do Império. Com a sua morte e desunião que começou com seus herdeiros, dividiu toda a Europa.

Henrique I, perante Carlos Magno resistiu as forças demolidoras, e foi sucedido por Otão, o grande em 936. Os esforços pacificadores de Otão foram recompensados pelo papa João XII, que o corou imperador, o que usou de ingratidão pondo-o e depois o substituindo por João VIII.

5. O Cisma da Igreja (Divisão entre a Igreja Católica Ocidental e Oriental)
Antes do fim do último período, profundas rivalidades entre Roma e Constantinopla, haviam provocado grandes contendas. As causas principais eram: raça, língua e características mentais/morais.

As igrejas dos dois continentes romperam os laços fraternais em 867, e em 1054. Embora o Império estivesse dividido desde 395, e tivesse havido uma luta prolongada e amarga entre o Papa de Roma e o Patriarca de Constantinopla, ambos a disputar a supremacia da Igreja que permanecera una.

Os concílios eram assistidos por representantes do Oriente como do Ocidente. Durante os seis primeiros séculos, o Oriente representava os sentimentos da Igreja e era sua parte mais importante. Todos os Concílios Ecumênicos tinham-se realizado em Constantinopla, ou em lugares próximos, usando-se a língua grega; e nelas se resolveram as questões doutrinárias. Mas, agora a pretensão insistente do Papa, de ser o senhor da cristandade, acabou por se tornar intolerável, dando ocasião ao Oriente se separasse do modo definido.

O Concílio de Constantinopla de 869 foi o último Concílio Ecumênico. Daí por diante, a Igreja Grega teve seus Concílios, e a Igreja Romana os seus.

A brecha tem aumentado com o passar dos séculos, a maneira brutal como Constantinopla foi tratada pelos exércitos do Papa Inocêncio III durante as cruzadas, aniquilou ainda mais o Oriente; e a degradação do dogma da infalibilidade do papa, em 1870, cavou ainda mais o abismo.

a) As Cruzadas

Dá-se o nome de cruzada a expedição mais puramente militar, feita pelos cristãos dos séculos XII e XVI, a fim de libertarem a terra santa do poder dos infiéis (maometanos).

As condições que precipitavam as cruzadas:

» A miséria assoladora e o desespero consequente em que estavam as classes desprestigiadas, fizeram com que os homens resolvessem a lançar mão de qualquer meio para o melhoramento social;

» Estavam sujeitas as invasões maometanas do oriente, que a todo custo desejavam evitar;

» O catolicismo havia se tornado em cerimônia, fanatismo e superstição. A adoração de certos lugares era conhecida como benéfica;

» As peregrinações à Palestina eram consideradas as mais benéficas;

» A conversão da Hungria que abriu um caminho para a Terra Santa, inclinava a multiplicar o número de peregrinos;

» Em 1010, o sultão Hakem, fanático até a loucura, ordenou a destruição dos principais santuários cristãos em Jerusalém, a conquista da Ásia Menor pelos Turcos (1076) agravou a situação. Os peregrinos sofriam injustiças, roubos e sacrilégios.

b) A Inquisição (denominado Santo Ofício)

Foi um antigo tribunal eclesiástico, estabelecido pela Igreja Romana com o propósito de investigar e punir o que seus juízes classificavam de “crimes contra fé católica”.

Um dos mais vergonhosos capítulos que a Igreja Romana legou a história, e que jamais será esquecido, diz respeito à instalação e o funcionamento implacável dos terríveis tribunais da inquisição, que levaram ao suplício e a morte de dezenas de milhares de vítimas.

A inquisição foi instituída por Inocencio III e aperfeiçoada sob o segundo papa que se seguiu, Gregório IX. Era o tribunal ao qual incumbia prender e castigar os hereges. Foi a principal agência do esforço Papal por esmagar a Reforma, afirma-se que nos 30 anos, entre 1540 e 1570, nada menos de 900.000 protestantes foram mortos, na guerra movida pelo papa com o fim de exterminar os valdenses.

A inquisição é o fato mais infame da história, foi inventada pelos papas e usada por eles durante 500 anos.

c) O Auge do Poder Papal

O monge Hidelbrando, que se pontificou de 1073 a 1085 com o título de Gregório VII, foi um dos mais poderosos papas.

Ele cria que seu poder não estava apenas sobre a Igreja, mas também sobre reis, imperadores, príncipes, e sobre todos os que estivessem sujeitos a estes, ele exerceu autoridade sobre governos distantes, e se serviu da legislação da Igreja para solucionar problemas difíceis, ele fez do papa o maior de todos os governadores do Ocidente.

Esse célebre papa, assim que subiu ao trono pontifício, publicou as suas “máximas”, nas quais transparece o mais ferrenho despotismo. Essas famosas “máximas” de Hidelbrando têm sido consideradas, desde então, a essência do papado; dentre outras podemos destacar:

👉 Que o papa é a única pessoa deste mundo cujos pés devem ser beijados por príncipes e soberanos;
👉 Que o papa tem autoridade para depor imperadores, e privá-los de sua dignidade imperial;
👉 Que a Igreja Romana nunca errou nem jamais errará, como a escritura testifica.

Dispunha de uma milícia pronta para agir ao mínimo aceno. Instituiu também, no Ocidente a obrigatoriedade do Celibato Clerical.

Seguindo os mesmos passos absolutistas de Gregório VII, o Papa Inocencio III (1198-1216), que chegou a ser considerado um dos maiores estadistas da Europa, declarou-se “vigário de Cristo”, “vigário de Deus”, “soberano supremo da Igreja e do mundo”, com o direito de depor reis e príncipes; que “todas as coisas na terra, no céu e no inferno estão sujeitos ao vigário de Cristo”.

Com isto levou a Igreja a sobrepor-se ao estado, os reis da Alemanha, França, Inglaterra, e, praticamente, todos os monarcas da Europa faziam a sua vontade.

Até o Império Bizantino foi por ele dominado, embora a maneira brutal como tratou Constantinopla resultasse mais tarde no afastamento do Oriente.
🎯 Nunca, na história, um homem exerceu maior autoridade do que ele.

Ordenou duas cruzadas;
• Decretou a transubstanciação;
• Confirmou a confissão auricular;
• Declarou que o sucessor de Pedro “nunca e de modo algum podia apartar-se da fé católica” (infabilidade papal);
• Proibiu a leitura da Bíblia em Vernáculo;
• Ordenou a exterminação dos hereges;
• Instituiu a inquisição;
• Mandou massacrar os Albigenses.

ReferênciasHistória da Igreja. Curso de Teologia, IBADEP



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