Lição 13 – A Assembleia de Jerusalém

Nesta lição, encerramos nosso trimestre estudando um dos momentos mais importantes da história da Igreja Primitiva em Jerusalém: a Assembleia de Jerusalém. Diante de um grave conflito doutrinário sobre a salvação dos gentios, os líderes da Igreja buscaram, com sabedoria e submissão ao Espírito Santo, uma solução que preservasse a doutrina da graça e a unidade do Corpo de Cristo.

Lições Bíblicas Adultos - 3°Trimestre 2025 - CPAD

Revista: A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé – Base para o Crescimento da Igreja

Comentarista: Pr. José Gonçalves


TEXTO ÁUREO

“Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias.”  (At 15.28)

VERDADE PRÁTICA

Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente.

Assembleia de Jerusalém

LEITURA DIÁRIA

Segunda - 1 Co 12.12

A igreja local como um organismo vivo

Terça - Tt 1.5

A igreja como organização

Quarta - At 14.23

Estabelecendo líderes

Quinta - At 15.28

Dando voz à igreja

Sexta - At 15.30,31

A necessidade de possuir parâmetros  

Sábado - 1 Co 14.40

Tudo com decência e ordem


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 15.22-32

19 - Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos 22- Então, pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger varões dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, varões distintos entre os irmãos.

23- E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos, e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, Síria e Cilícia, saúde.

24- Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma (não lhes tendo nós dado mandamento),

25- pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns varões e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo,

26- homens que já expuseram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

27- Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais de boca vos anunciarão também o mesmo.

28- Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:

29- Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.

30- Tendo-se eles, então, despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta.

31- E, quando a leram, alegraram-se pela exortação.

32- Depois, Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras.


Hinos Sugeridos:  144, 162, 167 da Harpa Cristã

144 - Vem à Assembleia de Deus

162 - O Estandarte da Verdade

167 - As Testemunhas de Jesus


INTRODUÇÃO

Com esta lição, terminamos mais um trimestre de estudos sobre a igreja de Jerusalém. Aqui veremos como a igreja agiu para resolver seus conflitos de natureza doutrinária. Um grupo composto por fariseus convertidos à insistia que os gentios convertidos deveriam guardar a Lei, especialmente o rito da circuncisão. No entendimento dos apóstolos, se isso fosse exigido, a salvação deixaria de ser totalmente pela graça, o que era inaceitável. Devido à dimensão da questão e à sua importância para o futuro da Igreja, os líderes se reuniram em Jerusalém para buscar uma solução para o problema. Lucas deixa claro que a decisão tomada pela Igreja naquele momento foi guiada pelo Espírito Santo. É isso que veremos agora.


PALAVRA-CHAVE: Assembleia


I – A QUESTÃO DOUTRINÁRIA

1. O relatório missionário.

A questão doutrinária que se tornou objeto de discussão no Concílio de Jerusalém, abordada no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, teve seu início na igreja de Antioquia. Ela começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à igreja de Antioquia um relatório sobre a Primeira Viagem Missionária que haviam realizado. Nesse relatório, os missionários narraram o que Deus havia feito entre os gentios e como estes aceitaram a fé (At 14.27). O relatório deixa implícito que a salvação dos gentios ocorreu inteiramente pela graça de Deus, sem que nenhuma exigência da Lei, como a circuncisão, fosse imposta a eles. Tanto Paulo quanto Barnabé viam a ação de Deus — manifestada por meio de milagres extraordinários entre os gentios — como um sinal de sua aprovação, demonstrando que nenhuma outra exigência, além da fé em Jesus, era necessária para a salvação. Em outras palavras, a salvação é um dom de Deus, concedido inteiramente por sua graça.

 

2. O legalismo judaizante.

Lucas mostra que um grupo de judaizantes se sentiu incomodado com o relatório dos missionários (At 15.1). Esse grupo, composto por fariseus supostamente convertidos à fé, que haviam vindo de Jerusalém para Antioquia, se opôs ao ingresso de gentios na Igreja sem que estes, antes, cumprissem as exigências da Lei. Houve, portanto, um confronto entre esse grupo judaizante e os missionários Paulo e Barnabé. A questão tomou grandes proporções, correndo o risco até mesmo de dividir a igreja em Antioquia, o que exigia uma resposta rápida por parte da liderança. Contudo, por se tratar de um tema complexo e de amplo alcance, a igreja de Antioquia considerou adequado remeter a questão para Jerusalém, a igreja-mãe, onde o assunto seria analisado e amplamente discutido pelos apóstolos e presbíteros (At 15.2).

 

SINÓPSE I

A exigência da circuncisão aos gentios gerou um sério questionamento sobre a natureza da salvação em Cristo.


AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“PARECEU BEM AO ESPÍRITO SANTO.

O Espírito Santo dirigiu aqueles que participaram do concílio de Jerusalém a tomarem as decisões certas. Jesus prometeu que o Espírito os guiaria em toda a verdade (Jo 16.13). As decisões da igreja não devem ser tomadas apenas pelos seres humanos. Os líderes devem buscar e aceitar a direção do Espírito através da oração, do jejum e da devoção à Palavra de Deus até que possam discernir claramente a sua vontade (cf.13.2-4). A igreja, se quiser ser verdadeiramente leal a Cristo, deve ouvir o que o Espírito lhe diz (cf. Ap 2.7).” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global, edita pela CPAD, p.1973.


II – O DEBATE DOUTRINÁRIO

1. Uma questão crucial.

A questão gentílica chegou a Jerusalém para ser tratada. Contudo, judaizantes, que ali se encontravam, deixaram claro que a igreja deveria circuncidar os gentios convertidos e ordenar que eles “guardassem a lei de Moisés” (At 15.5). No entendimento desse grupo, sem a observância da lei, ninguém podia se salvar. Pedro é o primeiro a ver a gravidade da questão e percebe que ela não pode ser tratada de forma subjetiva. A questão deveria ser tratada com a objetividade que o caso exigia, e a experiência da salvação dos gentios em Cesareia, ocorrida anos antes, deveria servir de parâmetro (At 10.1-46). Pedro, então, evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós” (At 15.8).


2. A experiência do Pentecostes na fé dos gentios.

O derramamento do Espírito sobre os gentios, anos antes, em Cesareia, na casa de Cornélio (At 10), havia sido uma experiência objetiva, física e observável por todos os presentes ali (At 10.44-46; At 2.4). Pedro espera que seu argumento seja aceito da mesma forma que fora aceito, anos antes, pelos judeus que haviam questionado a salvação dos gentios de Cesareia. Convém lembrar que esse mesmo argumento de Pedro já havia sido usado pelo apóstolo Paulo por ocasião de seu debate com os crentes da Galácia. Da mesma forma, ali, Paulo deixou claro que o recebimento do Espírito era um fato observável e que todos, portanto, tinham consciência de que o haviam recebido (Gl 3.5).


3. A fundamentação profética da fé gentílica.

Enquanto Pedro recorreu à experiência do Pentecostes como sinal de validação da fé gentílica. Por outro lado, Tiago, o irmão do Senhor Jesus, recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para ele, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas: “E com isto concordam as palavras dos profetas” (At 15.15). A aceitação dos gentios na Igreja não era uma inovação sem respaldo nas Escrituras. Pelo contrário, Deus já havia mostrado aos antigos profetas que os gentios também fariam parte de seu povo. Esse era um favor divino, fruto de sua graça, e que nada mais precisava ser acrescentado.


SINÓPSE II

Os apóstolos usaram experiências espirituais e fundamentos proféticos para afirmar a aceitação dos gentios por Deus.

 

AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A LEI E A GRAÇA.

Quando judaizantes queriam sobrecarregar os gentios com o sistema mosaico, Pedro protestou (At 15.10). Poderia ter mencionado a libertação de muitos gentios dos tremendos fardos impostos pelos sacerdotes pagãos. E que não deveriam ser submetidos de novo a sistemas de exigências para ‘merecerem a salvação’. [...] Há ocasiões em que pregar a Lei é necessário, para levar os ouvintes à convicção de pecados. Porém, antes de tudo, o Evangelho é o oferecimento da livre graça de Deus.

O Evangelho não aceita o conceito de um Deus sem misericórdia. Um Deus que exige rituais, flagelações e boas obras mediante as quais seja gracioso para conosco. Não. Deus já revela sua natureza de graça e misericórdia. E quer nos justificar, de tal modo que sirvamos a Ele sem medo de perder a salvação. A Lei diz: ‘Faça isso, e viverá’. O Evangelho diz: ‘Receba a vida, e faça’. A Lei diz: ‘Pague!’ O Evangelho diz: ‘Está pago!’” (PEARLMAN, Myer. Atos: Estudo do Livro de Atos e o Crescimento da Igreja Primitiva. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.171-72).


III – A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM

1. O Espírito na Assembleia.

É digno de nota o papel atribuído ao Espírito Santo na tomada de decisões da Igreja: “[...]pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). O Espírito Santo não era apenas visto como uma doutrina na Igreja, mas como uma pessoa com participação ativa nela. Esse texto faz um paralelo com Atos 5.32, onde também se destaca a participação ativa do Espírito Santo na vida da Igreja: “E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (v.32).


2. A orientação do Espírito na Assembleia.

O texto de Atos 15.28 não nos diz como era feita a orientação do Espírito na primeira Igreja; contudo, a observação feita por Lucas, de que Judas e Silas “eram profetas” (At 15.32) e que eles fizeram parte da comissão que levou a carta com a decisão tomada pela Assembleia, indica que o Espírito Santo se manifestava na Igreja por meio de seus dons (Cf. At 13.1-4). Isso explica por que as coisas funcionavam na primeira Igreja. Esse era o padrão da Igreja Primitiva e deve ser também o padrão na Igreja de hoje.


3. O parecer final da Assembleia.

Depois dos intensos debates, o parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (At 15.29). Fica óbvio que a Igreja procurou resolver a questão mantendo-se rigorosamente fiel à doutrina da salvação pela graça, isto é, sem os elementos do legalismo judaico, mas evitando os extremos de rejeitar os irmãos judeus que também compartilhavam da mesma fé. O legalismo deveria ser rejeitado, os crentes judeus, não. Assim, ficou demonstrado que os gentios eram salvos pela graça, mas deveriam impor alguns limites à sua liberdade cristã, a fim de que o convívio com seus irmãos judeus não fosse conflituoso.


SINÓPSE III

Guiada pelo Espírito Santo, a Igreja decidiu preservar a graça e promover a comunhão entre judeus e gentios convertidos.

 

AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A LIBERDADE CRISTÃ.

Agostinho, grande estudioso da igreja antiga, disse certa vez: ‘Ame a Deus e faça o que quiser’. À primeira vista, esta declaração parece um pouco arriscada. Mas pensando bem, quem ama a Deus não vai querer desagradá-lo mediante a desobediência à sua Palavra. Aquele que verdadeiramente ama a Deus está livre da Lei e vive sob sua graça. Sua nova natureza espiritual não desejará fazer nada contrário à vontade revelada de Deus. Existem leis civis hoje em dia para punir mães que tratam com crueldade aos seus filhos. Há, porém, milhares de mães que desconhecem tais leis e tratam seus filhos com bondade. Explicação: Já têm a lei do amor maternal escrita nas suas consciências. Quem foi transformado pela graça tem a lei de Deus escrita no seu coração (Jr 31.33). E, com grande alegria, faz aquilo que é certo” (PEARLMAN, Myer. Atos: Estudo do Livro de Atos e o Crescimento da Igreja Primitiva. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.172).


CONCLUSÃO

A Igreja sempre será desafiada a enfrentar os problemas que surgem em seu meio. No capítulo 6 de Atos, vimos como ela resolveu um conflito de natureza social, provocado por reclamações de crentes helenistas (hebreus de fala grega). Aqui, o problema foi de natureza doutrinária: uma questão melindrosa que requeria muita habilidade por parte da liderança para ser resolvida. Graças ao parecer de uma liderança sábia e orientada pelo Espírito Santo, a Igreja tomou a decisão certa. A unidade da Igreja foi preservada e Deus foi glorificado.


REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como a questão doutrinária da salvação dos gentios se tornou objeto de discussão do Concílio de Jerusalém?

Começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à Igreja de Antioquia um relatório sobre a primeira viagem missionária.

2. O que Lucas mostra a respeito de um grupo de judaizantes?

Lucas mostra que esse grupo, formado por fariseus convertidos, insistia que os gentios só poderiam ser salvos se guardassem a Lei, especialmente a circuncisão, promovendo confusão e divisão na Igreja.

3. O que Pedro evoca como prova da aceitação dos gentios por Deus?

Pedro evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus (At 15.8).

4. A que o apóstolo Tiago recorre para fundamentar a defesa da aceitação dos gentios na Igreja?

Tiago recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para Tiago, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas (At 15.15).

5. Qual foi o parecer da Assembleia de Jerusalém?

O parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (At 15.29).

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Lições Bíblicas do 4° Trimestre de 2025, Adultos

Lições Bíblicas Adultos – 4° Trimestre 2025 | CPAD

REVISTA: Corpo, Alma e Espírito A Restauração Integral do Ser Humano para Chegar à Estatura Completa de Cristo

Comentarista: Pr. Silas Queiroz

No 4° Trimestre de 2025, as Lições Bíblicas Adultos da CPAD apresentam um estudo profundo e edificante sobre a natureza tripartida do homem à luz das Escrituras. 



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Lição 12 – O Caráter Missionário da Igreja de Jerusalém

Faz parte da missão da Igreja a evangelização de povos não alcançados.

Lições Bíblicas Adultos - 3°Trimestre 2025 - CPAD

Revista: A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, Comunhão e Fé – Base para o Crescimento da Igreja

Comentarista: Pr. José Gonçalves

TEXTO ÁUREO

“E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.” (At 11.20)

VERDADE PRÁTICA

Faz parte da missão da Igreja a evangelização de povos não alcançados.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - At 1.8

Alcançando os confins da terra

Terça - Rm 15.24

O Evangelho além-mar

Quarta - At 11.20,21

Implantando igrejas

Quinta - At 14.21

Fazendo discípulos

Sexta - At 11.26

Formando a identidade cristã

Sábado - At 11.29

Socorrendo os necessitados

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 11.19-30

19- E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra senão somente aos judeus.

20- E havia entre eles alguns varões de Chipre e de Cirene, os quais, entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.

21- E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.

22- E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé até Antioquia,

23- o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou e exortou a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor.

24- Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor.

25- E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.

26- E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.

27- Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.

28- E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.

29- E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judeia.

30- O que eles com efeito fi zeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e de Saulo.


Hinos Sugeridos: : 9, 11, 34 da Harpa Cristã

Marchai Soldados De Cristo N° 9

Ó Cristão, Eia Avante N° 11

Milícia De Jesus N° 34


INTRODUÇÃO

Como o evangelho alcançou Antioquia, uma importante cidade da Síria dentro do Império Romano? Conhecer esse fato é relevante porque, pela primeira vez, cristãos de Jerusalém levam a mensagem da cruz aos gentios fora das fronteiras de Israel. Com o ingresso do Evangelho na cidade de Antioquia, a igreja dava seu primeiro salto na missão transcultural. Nesta lição, estudaremos sobre como o “Ide” de Jesus é levado a sério por um grupo de cristãos refugiados, vítimas da perseguição que sobreviera a Estêvão em Jerusalém. Esses crentes, mesmo sendo leigos, possuíam uma forte consciência missionária. E, quando perseguidos, não escondiam sua fé, mas a compartilhavam apontando sempre para a cruz de Cristo. Esse é um belo exemplo de fé cristã que deve, não somente nos inspirar, mas, sobretudo, nos levar a agir como eles. 


PALAVRA-CHAVE: Missão


I – UMA IGREJA COM CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA

1. O Evangelho para além da fronteira de Israel.

Lucas abre essa seção de seu livro fazendo referência aos cristãos, “os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia” (At 11.19). Observamos que essa passagem bíblica faz um paralelo com Atos 8.1-4 onde narra o início da perseguição em Jerusalém que gerou a dispersão cristã. Assim como Filipe, que em razão da perseguição levou o Evangelho à cidade de Samaria, da mesma forma esses crentes, que também faziam parte desse grupo de cristãos perseguidos, levaram o Evangelho para além da fronteira de Israel.

 

2. Cristãos dispersados, mas conscientes de sua missão.

Esses cristãos dispersados, após fugirem de uma perseguição feroz, não esconderam a sua fé. Aonde chegavam, anunciavam a Palavra de Deus (At 11.19,20). Foi assim que eles deram testemunho do Evangelho na Fenícia, Chipre e Antioquia. O que vemos são cristãos conscientes da missão de testemunhar de sua fé onde quer que estivessem. Eles haviam sido comissionados para isso (Mt 28.19; At 1.8). Somente cristãos participantes de uma igreja consciente de sua tarefa missionária agem dessa forma. Eles não perdem o foco: anunciam o Senhor Jesus em qualquer tempo, lugar e circunstância.


3. Cristãos leigos, mas capacitados pelo Espírito. Lucas destaca que dentre esses cristãos havia “alguns” que levaram o Evangelho para Antioquia, capital da Síria, uma cidade cosmopolita e uma das três cidades mais importantes do Império Romano (At 11.20). O texto deixa claro que foram esses cristãos “comuns” os fundadores da igreja de Antioquia, uma das mais relevantes e importantes do Novo Testamento (At 13.1-4). Eram cristãos anônimos e leigos. Eles não são contados entre os apóstolos, diáconos ou presbíteros. Contudo, eles foram usados por Deus para fundar aquele trabalho e foram bem-sucedidos porque “a mão do Senhor era com eles” (At 11.21), conforme Lucas destaca. Esse era o segredo que fez toda a diferença. O que fica em destaque, portanto, não era o ofício ou o cargo, mas a capacitação do Senhor. Os apóstolos eram extraordinários e os profetas excepcionais somente porque sobre eles também estava a mão do Senhor.


SINÓPSE I

A Igreja de Jerusalém, mesmo dispersada, manteve seu compromisso de anunciar o Evangelho com ousadia. 


AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

DE JERUSALÉM À ANTIOQUIA DA SÍRIA

“Alguns destes primeiros missionários cristãos foram a Antioquia, cidade cerca de quatrocentos e oitenta quilômetros ao norte de Jerusalém. Sua importância política era devido ao fato de que servia como capital da província romana da Síria. Antioquia da Síria, a terceira maior cidade do Império Romano (depois de Roma e Alexandria), tornou-se a sede da expansão do cristianismo fora da Palestina e figurava significativamente nas missões cristãs aos gentios (At 13.1-3; 14.26-28; 15.22-35; 18.22).

 

A marcha do evangelho não para em Samaria e Cesareia. Alguns dos missionários evangelizam tão ao norte quanto a Fenícia (o atual Líbano); outros vão à ilha de Chipre, a pátria de Barnabé (At 11.19,20; cf. At 4.36). Isto significa que havia cristãos na ilha antes de que Paulo e Barnabé pregassem o evangelho lá (At 13.4-12). Outros missionários se aventuram indo muito mais ao norte, à cidade famosa de Antioquia, com uma população calculada em aproximadamente quinhentos mil habitantes (Marshall, 1980, p. 201) e a comunidade judaica girando em torno de sessenta e cinco mil durante a era do Novo Testamento (George, 1994, p. 170)” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento – Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, pp.687,88).


II – UMA IGREJA COM VISÃO TRANSCULTURAL

1. A cultura grega (helênica).

A Bíblia nos conta que alguns cristãos que tinham sido espalhados pelo mundo chegaram a “Antioquia, falaram aos gregos (At 11.20). Essa expressão, “falaram aos gregos”, é muito importante. De acordo com estudiosos, ela explica que esse foi o primeiro momento em que cristãos judeus falaram de Jesus para pessoas que não eram judias, adoravam outros deuses e não seguiam o Judaísmo. Isso mostra que a igreja começou a levar a mensagem de Jesus para além das fronteiras da Palestina, chegando a um mundo totalmente diferente, onde as pessoas não conheciam a fé judaica. Ou seja, não eram judeus que falavam grego pregando para outros judeus da mesma cultura, mas cristãos judeus que falavam grego levando o Evangelho a pessoas que não tinham nenhuma ligação com o Judaísmo. Dessa forma, o que Jesus havia ordenado — pregar o Evangelho a “toda criatura” (Mc 16.15) — começou a se cumprir.


2. Contextualizando a mensagem.

Podemos ver aqui um exemplo de como os primeiros cristãos adaptavam a mensagem ao contexto em que estavam. Lucas nos conta que eles “anunciavam” o evangelho do Senhor Jesus” (At 11.20). O texto é curto e direto, mas esses cristãos estavam pregando para pessoas que não eram judias. Isso significa dizer que eles não podiam simplesmente usar o Antigo Testamento para provar que Jesus era o Messias prometido, porque isso não faria sentido para aquele público. Diferente dos judeus e samaritanos, que já esperavam um Messias (At 2.36; 5.42; 8.5; 9.22), os gentios não tinham essa mesma expectativa. Além disso, esses cristãos também não mencionam costumes judaicos, como a circuncisão, que Estêvão citou em seu discurso (At 7.51), porque isso não fazia parte da cultura dos gentios. Em vez de enfatizar que Jesus era o Messias, eles destacavam que Ele é o Senhor. Ou seja, estavam dizendo que os pagãos precisavam deixar seus falsos deuses e se voltar para o único e verdadeiro Senhor (At 14.15; 26.18,20). Dessa forma, sem comprometer a verdade da mensagem, o Evangelho foi se espalhando e alcançando diferentes culturas.


SINÓPSE II

Cristãos judeus pregaram aos gentios em Antioquia, contextualizando a mensagem sem perder sua essência.


AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

A PREGAÇÃO TRANSCULTURAL DO EVANGELHO

“A maioria destes crentes dispersos pregava somente ‘aos judeus’ (v. 19), mas alguns crentes de Chipre e Cirene dão um passo ousado e também pregam as boas-novas de Jesus ‘aos gregos’, isto é, aos gentios pagãos em Antioquia (v. 20). Parece que eles alcançaram Antioquia numa época posterior do que aqueles que pregavam somente aos judeus. Algo pode ter acontecido durante o intervalo para torná-los tão corajosos e revolucionários, como o derramamento do Espírito Santo em Cesareia. Eles puseram em prática o que o Espírito levou Pedro a fazer com Cornélio e seus amigos.


A pregação do evangelho em Antioquia tem sucesso numérico, o qual é atribuído à ‘mão do Senhor’ (v. 21). Quer dizer, Deus abençoa esse ministério e seu poder capacita os discípulos a trazerem muitos judeus e gentios daquela cidade à fé em Jesus Cristo. O ministério de Pedro tinha aberto as portas da Igreja aos gentios em Cesareia, mas a pregação do evangelho em Antioquia é o começo de um vigoroso esforço para evangelizar o mundo gentio” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento – Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.688).


III – UMA IGREJA QUE FORMA DISCÍPULOS

1. A base do discipulado.

Ao serem informados de que o Evangelho havia chegado a Antioquia (At 11.22), a partir de Jerusalém, os apóstolos enviaram Barnabé para lá. Chegando ali, Barnabé viu uma igreja viva e cheia da graça de Deus (At 11.23). Como um homem de bem e cheio do Espírito Santo, Barnabé os encorajou na fé (At 11.24). Contudo, logo se percebeu que aquela igreja precisava de mais instrução, ou seja, precisava ser discipulada. Com esse propósito, Barnabé foi em busca de Saulo para que o auxiliasse nesta missão. E assim foi feito: “E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente” (At 11.26). Esse episódio nos mostra que não basta ganhar almas, é preciso ensiná-las. Sem o ensino, a igreja não cresce em graça e conhecimento. O crescimento saudável só é possível por meio da obra da evangelização e do discipulado.


2. Denominados de “cristãos”.

Os cristãos de Jerusalém haviam sido chamados na igreja de “irmãos” (At 1.16); “crentes” (At 2.44); “discípulos” (At 6.1) e “santos” (At 9.13). Também passaram a ser identificados tanto pelos de dentro da igreja como pelos de fora dela como aqueles que eram do “caminho “(At 9.2; 19.9,23; 22.4; 24.14,22). Agora em Antioquia são chamados de “cristãos” (At 11.26). O termo “cristãos” tem o sentido de “pessoas de Cristo”.


3. A identidade cristã.

O que realmente define um cristão não é apenas um nome ou um rótulo, mas sim sua vida, sua fé e suas atitudes. Embora alguns estudiosos acreditem que o termo “cristão” tenha sido usado em Antioquia como uma forma de zombaria, a verdade é que aqueles seguidores de Jesus demonstravam um grande entusiasmo e dedicação, assim como os primeiros crentes que vieram da igreja de Jerusalém para pregar naquela cidade.


O nome “cristão” aparece novamente na Bíblia em Atos 26.28 e 1 Pedro 4.16. Segundo a Bíblia, ser cristão significa crer em Jesus, abandonar o pecado e receber a salvação como um presente de Deus, dado pela sua graça.


SINÓPSE III

A Igreja investiu no ensino e discipulado, consolidando a fé e a identidade cristã dos novos convertidos.


CONCLUSÃO

Aprendemos como a providência de Deus faz com que o Evangelho chegue, por meio da Igreja, a povos ainda não alcançados. O que se destaca não é uma metodologia sofisticada de evangelismo, mas a graça de Deus, que capacita pessoas simples e anônimas a realizarem a sua obra. Quem deseja fazer, Deus capacita. Ninguém jamais terá tudo de que precisa para cumprir a obra de Deus; no entanto, se Deus tiver tudo de nós, Ele nos habilitará a realizá-la.


REVISANDO O CONTEÚDO

1. Qual era o foco dos cristãos que foram dispersados?

Anunciar o Senhor Jesus em qualquer tempo, lugar e circunstância.

2. Como era a cidade de Antioquia?

Antioquia era uma cidade cosmopolita, capital da Síria e uma das três mais importantes do Império Romano, com forte influência helênica.

3. Como os primeiros cristãos contextualizavam a mensagem do Evangelho para os gentios?

Eles não usavam o Antigo Testamento para provar que Jesus era o Messias prometido, nem mencionavam costumes judaicos, mas enfatizavam que Jesus era o Senhor.

4. O que o episódio de Atos 11.22,23,24,26 mostra?

Esse episódio nos mostra que não basta ganhar almas, é preciso ensiná-las; sem o ensino a igreja não cresce em graça e conhecimento.

5. Qual é o sentido do termo “cristão”?

O termo “cristão” tem o sentido de “pessoa de Cristo” e se refere à identidade daqueles que seguem, creem e vivem de acordo com os ensinamentos de Jesus.


VOCABULÁRIO

Cosmopolita: oriundo ou próprio dos grandes centros urbanos, das grandes cidades; que recebe influência cultural de grandes centros urbanos de outros países.

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Lições Bíblicas do 4° Trimestre de 2025, Adultos

Lições Bíblicas Adultos – 4° Trimestre 2025 | CPAD

REVISTA: Corpo, Alma e Espírito A Restauração Integral do Ser Humano para Chegar à Estatura Completa de Cristo

Comentarista: Pr. Silas Queiroz

No 4° Trimestre de 2025, as Lições Bíblicas Adultos da CPAD apresentam um estudo profundo e edificante sobre a natureza tripartida do homem à luz das Escrituras. 



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Lição 11 – Uma Igreja Hebreia na Casa de um Estrangeiro

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Classe: Adultos | Data: 14 de Setembro de 2025

Lição 11 – Uma Igreja Hebreia na Casa de um Estrangeiro | 3° Trimestre de 2025 | Classe: Adultos | Data: 14 de Setembro de 2025 | Comentarista: Pr. José Jonçalves

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REVISTA: Corpo, Alma e Espírito A Restauração Integral do Ser Humano para Chegar à Estatura Completa de Cristo

Comentarista: Pr. Silas Queiroz

No 4° Trimestre de 2025, as Lições Bíblicas Adultos da CPAD apresentam um estudo profundo e edificante sobre a natureza tripartida do homem à luz das Escrituras. 



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