Lições Bíblicas Adultos – 4° Trimestre 2025
| CPAD
REVISTA: Corpo, Alma e Espírito –
A Restauração Integral do Ser Humano para Chegar à Estatura Completa de Cristo
Comentarista: Pr. Silas Queiroz
TEXTO
ÁUREO
“Peso da
Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda
a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.”(Zc 12.1)
VERDADE
PRÁTICA
Uma vez livre, nossa alma recebe vida espiritual e dirige nosso corpo para adorar e servir ao Criador.
LEITURA DIÁRIA
Segunda -
Jó 32.8
Há um
espírito no homem
Terça -
Fm v.25
A graça
no espírito
Quarta -
Pv 16.18,19
Humilde
de espírito
Quinta -
Rm 12.11
Fervorosos
no espírito
Sexta -
At 7.59
A oração
de Estêvão
Sábado -
2 Tm 4.22
O Senhor
seja com o teu espírito
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE
Gênesis
2.7; Eclesiastes 12.7; Zacarias 12.1; João 4.24
Gênesis
2
7 - E
formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego
da vida; e o homem foi feito alma vivente.
Eclesiastes
12
7 - e o
pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
Zacarias
12
1 - Peso
da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que
funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele.
João 4
24 - Deus
é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade
Hinos Sugeridos: 171,
400, 614 da Harpa Cristã
INTRODUÇÃO
Já
estudamos a respeito do corpo e da alma. Nesta lição estudaremos acerca do
espírito. Veremos como nos foi comunicado pelo Criador. Trataremos de sua
divisão em relação à alma e sua importância para nossa comunhão com Deus, em
santificação e adoração.
PALAVRA-CHAVE: Espírito
I – O
SOPRO DIVINO: A CONCESSÃO DO ESPÍRITO
1. O
fôlego da vida.
Feito de
uma matéria pré-existente, o pó da terra, o corpo humano estava inerte até
receber o sopro divino (o fôlego da vida), ato pelo qual Deus deu ao homem o
espírito e o tornou alma vivente (Gn 2.7). Até então, toda a Criação havia sido
feita mediante o emprego de ordens verbais: “Haja”, “Ajuntem-se”, “Produza” (Gn
1.3-11). O homem, contudo, recebeu vida por uma comunicação especial: o
elemento espiritual soprado por Deus. A matéria recebeu vida espiritual
consciente, constituída de espírito e alma. O espírito é a parte imaterial
através da qual estabelecemos nossa comunhão com o Criador. A vida que o
espírito recebe de Deus é por Ele transmitida à alma. Esta, por sua vez, a
expressa por meio do corpo. Portanto, o espírito é o âmago, a parte mais profunda
e íntima do ser humano, entranhado com a alma e inseparável dela.
2. A
singularidade do espírito.
Alma e
espírito são mencionados ao longo do Antigo e do Novo Testamento como
componentes imateriais distintos. Zacarias 12.1 diz que Deus “forma o espírito
do homem dentro dele”. Jó faz referência ao corpo (representado pela boca), ao
espírito e à alma (Jó 7.11). Há, também, o bem conhecido texto de Eclesiastes
12.7: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.
O retorno do espírito para Deus se dá junto com a alma, consciente das ações
humanas, boas ou más (Lc 16.22-25; Ap 20.4). Neste texto, como em outros, ruah,
o termo hebraico para “espírito”, é representativo dos dois elementos
espirituais (Gn 45.27; Sl 146.4; 1 Sm 30.12). Da mesma sorte, em diversas
passagens nephesh (alma) é tomada pelo todo imaterial (Gn 35.18; 1 Rs 17.21).
3. A
tênue divisão.
No Novo
Testamento, 1 Tessalonicenses 5.23 e Hebreus 4.12 se destacam em relação à
distinção entre alma e espírito, pois os mencionam expressamente sem qualquer
aparência sinonímica. O segundo texto, aliás, refere-se à tênue divisão que há
entre os dois componentes imateriais e é acessada sobrenaturalmente pela
Palavra de Deus, que penetra até o mais íntimo de nosso ser, onde alma e
espírito estão entretecidos. Conclui-se, portanto, que apesar das discussões
teológicas a respeito da composição tríplice (espírito, alma e corpo), as
Escrituras Sagradas fazem claras referências às três partes, distinguindo-as.
SINÓPSE I
Deus
concedeu ao ser humano o fôlego da vida, tornando-o um ser espiritual com
capacidade de comunhão com o Criador.
AUXÍLIO
TEOLÓGICO
ALERTAS
CONTRA DISTORÇÕES DO ENSINO TRICOTOMISTA
“Textos bíblicos que parecem apoiar o tricotomismo incluem
1 Tessalonicenses 5.23, onde Paulo pronuncia a bênção: ‘E todo o vosso
espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a
vinda de nosso Senhor Jesus Cristo’. Em 1 Coríntios 2.14–3.4, Paulo refere-se
aos seres humanos como sarkikos (literalmente: ‘carnal’ 3.1,3), psuchikos
(literalmente: ‘segundo a alma’, 2.14) e pneumatikos (literalmente:
‘espiritual’, 2.15). Esses dois textos parecem demonstrar de forma ostensiva
três componentes elementares. Vários outros textos parecem distinguir alma e
espírito (1 Co 15.44; Hb 4.12). O tricotomismo é bastante popular nos círculos
conservadores. H. O. Wiley, porém, indica que erros podem ocorrer quando seus
vários componentes ficam fora de equilíbrio. Os gnósticos, antigo grupo
religioso sincretista que adotava elementos tanto do paganismo quanto do
Cristianismo, sustentavam que, se o espírito emanava de Deus, era imune ao
pecado. Os Apolinarianos, grupo herético do século IV condenado por vários
concílios eclesiásticos, acreditavam que Cristo possuía corpo e alma, mas que o
espírito humano fora substituído pelo Logos divino. Placeu (1596-1655 ou 1665),
da Escola de Samur, na França, ensinava que somente o pneuma era criado
diretamente por Deus. A alma, dizia, era mera vida animal e perecia com o
corpo” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva
Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, pp.248-49).
II
– ESPÍRITO, PECADO E SANTIFICAÇÃO
1.
Pecados do espírito.
Existem
pecados do corpo, como a prostituição, e da alma, como os maus pensamentos. Mas
também existem pecados do espírito, como o orgulho, a soberba, a vanglória, a
arrogância e a inveja (Pv 16.18; 1 Tm 3.6). Estes costumam ser piores que os
pecados do corpo. Sutis (e às vezes ocultos!), os pecados do espírito causam
terríveis males (Pv 15.25). Além de prejudicar seus autores, afetam e destroem
muitos relacionamentos (Tg 3.13-16). Certas expressões pecaminosas da alma e do
corpo, como iras, disputas e maledicências, geralmente são reflexos de pecados
do espírito (Ne 4.1-8). Em alguns casos não é difícil percebê-los. Sambalate,
Tobias e seus asseclas não contiveram sua soberba e inveja, mas Neemias
permaneceu firme, redobrando a vigilância e a oração. Diante de capciosas e
sistemáticas oposições, precisamos ter prudência e resiliência, sem nos abalar
(Rm 12.21).
2.
Raízes do pecado.
Em 1
Tessalonicenses 5.23, Paulo trata do processo de santificação que deve atingir
o ser humano por inteiro. A ordem por ele apresentada — espírito, alma e corpo
— não nos parece aleatória. O ato de criação se deu do material para o
imaterial (Gn 2.7), mas a Redenção se dá do espiritual para o físico (1 Pe
1.23; Rm.8.23). É no imaterial, que a Bíblia geralmente chama de “coração”, que
o pecado fica enraizado (Mt 15.19). Por isso, a verdadeira santificação
acontece de dentro para fora (Ez 36.26,27; Rm 8.10-13; Gl 5.22). A falta dessa
compreensão leva ao legalismo, além de representar grave distorção da Doutrina
da Graça, pela confiança nas próprias obras (Mt 23.25-28; Ef 2.8-10).
3.
Vencendo o pecado.
A força
do pecado arraigado em nosso espírito somente é vencida quando deixamos de
confiar em nós mesmos e dependemos inteiramente da graça de Deus e seu poder
salvador e santificador (Rm 6.14; Hb 10.10). Como ensina Paulo, “a lei do
Espírito de vida, em Cristo Jesus, nos livrou da lei do pecado e da morte” (Rm
8.2). O que é impossível à força humana torna-se possível mediante o poder
divino operante em nós (Rm 8.3,4). Revestir-se de mansidão e humildade, no
modelo de Cristo, é essencial para uma vida espiritual saudável e frutífera (Fp
2.3-8). A arrogância sequer deveria ser nominada entre nós. Quando contendas —
inclusive públicas — são feitas “em nome de Cristo” é porque ainda não
compreendemos o que é o verdadeiro Cristianismo: “ao servo do Senhor não convém
contender” (2 Tm 2.24). Purifiquemo-nos de todos os pecados (inclusive do
espírito) pelos meios da Graça, “aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”
(2 Co 7.1).
SINÓPSE
II
O pecado
pode enraizar-se no espírito, e a verdadeira santificação começa no interior,
pela ação transformadora da graça de Deus.
III
– REGENERAÇÃO E ADORAÇÃO
1. O
Novo Nascimento.
A vitória
sobre o pecado começa necessariamente com a experiência espiritual do Novo
Nascimento, ato divino operado em nosso interior que nos outorga um espírito
regenerado (Jo 3.5-8; Ef 2.1-6). Isso era incompreensível para Nicodemos e seu
padrão religioso, assim como é para os que desejam mostrar aparência de piedade
sem terem experimentado o sobrenatural processo de Regeneração (2 Tm 3.5). Com
espírito altivo, resistem à verdade e negam a inerrância e a infalibilidade da
Bíblia, considerando sua mensagem ultrapassada. Interpretam as Escrituras
conforme seus desejos já estabelecidos (2 Tm 2.8; 4.3). Não podemos ter
comunhão com os tais (1 Tm 6.1-5; 2 Tm 2.5).
2. Em
espírito e em verdade.
A
compreensão da imprescindível obra do novo nascimento operada em nosso interior
é fundamental também para uma vida correta de adoração. Assim como Nicodemos, a
mulher samaritana expressou um entendimento religioso limitado ao visível,
apontando o Monte Gerizim, conhecido lugar de adoração de seus pais (Jo 4.20).
Uma vida espiritual sadia não se fundamenta em misticismos, mas em uma comunhão
com Deus segundo as Escrituras (Jo 7.38).
3. Um
espírito quebrantado.
O
Pentecostalismo Clássico sempre foi despido de crenças e práticas alheias às
Escrituras, buscando sempre refletir o autêntico cristianismo bíblico. Como
Jesus ensinou à samaritana, “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o
adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24). A verdadeira e pura adoração nasce
de um espírito quebrantado, em simplicidade, sem pretensão de louvor ou glória
humana (Sl 51.17; 2 Co 11.3).
SINÓPSE
III
A
regeneração espiritual é essencial para uma adoração autêntica, que nasce de um
espírito quebrantado e alinhado com a verdade bíblica
AUXÍLIO
TEOLÓGICO
A
RESTAURAÇÃO DA IMAGEM DE DEUS
“A respeito da imagem moral de Deus nos seres humanos, “Deus fez
ao homem reto” (Ec 7.29). Até mesmo os pagãos, que não possuem conhecimento da
lei escrita de Deus, conservam uma lei moral escrita por Ele em seus corações
(Rm 2.14,15). Em outras palavras, somente os seres humanos possuem a capacidade
de sentir o que é certo e errado, bem como o intelecto e a vontade necessários
para escolher entre eles. Por esta razão, os seres humanos são chamados livres
agentes morais. Diz-se também que possuem autodeterminação. Efésios 4.22-24
parece indicar que a imagem moral de Deus, embora não completamente erradicada
na Queda, foi afetada negativamente até certo ponto. Para ter restaurada a
imagem moral “em verdadeira justiça e santidade”, o pecador precisa aceitar a
Cristo e se tornar uma nova criação” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia
Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2024,
p.260).
CONCLUSÃO
Âmago da
vida humana, o espírito nos foi dado por Deus para que mantenhamos comunhão com
Ele. Não deixemos que os cuidados da vida nos façam esquecer de que somos seres
espirituais. Desfrutar da presença divina fortalece o espírito, alegra a alma e
nos enche de vigor para enfrentar os desafios cotidianos em nossa jornada ao
Céu.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Que ato divino demonstra a doação do espírito ao ser humano?
Feito de
uma matéria pré-existente, o pó da terra, o corpo humano estava inerte até
receber o sopro divino (o fôlego da vida), ato pelo qual Deus deu ao homem o
espírito e o tornou alma vivente (Gn 2.7).
2. Quais os principais textos neotestamentários que mencionam a
tríplice composição humana?
No Novo
Testamento, 1 Tessalonicenses 5.23 e Hebreus 4.12 se destacam em relação à
distinção entre alma e espírito, pois os mencionam expressamente sem qualquer
aparência sinonímica.
3. Existem pecados do espírito? Cite exemplos.
Mas
também existem pecados do espírito, como o orgulho, a soberba, a vanglória, a
arrogância e a inveja (Pv 16.18; 1 Tm 3.6).
4. Onde ficam enraizados os pecados?
É no
imaterial, que a Bíblia geralmente chama de “coração”, que o pecado fica
enraizado (Mt 15.19).
5. Como vencer a força do pecado?
A força
do pecado arraigado em nosso espírito somente é vencida quando deixamos de
confiar em nós mesmos e dependemos inteiramente da graça de Deus e seu poder
salvador e santificador (Rm 6.14; Hb 10.10).
4. Onde ficam enraizados os pecados?
É no
imaterial, que a Bíblia geralmente chama de “coração”, que o pecado fica
enraizado (Mt 15.19).
5. Como vencer a força do pecado?
A força
do pecado arraigado em nosso espírito somente é vencida quando deixamos de
confiar em nós mesmos e dependemos inteiramente da graça de Deus e seu poder
salvador e santificador (Rm 6.14; Hb 10.10).
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Nesta lição, refletiremos sobre o espírito humano como o âmago
da vida, segundo a revelação bíblica. Veremos como essa parte da natureza
humana, recebida de Deus, nos permite verdadeira comunhão com o Criador.
Aprofundaremos a distinção entre espírito e alma, e destacaremos o papel do
espírito humano na santificação e adoração. Que o Espírito Santo nos conduza
nesta preciosa reflexão.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Expor que o espírito humano foi
concedido diretamente por Deus como parte essencial da natureza humana,
capacitando o ser humano a ter comunhão com o Criador; II) Enfatizar que o
pecado pode enraizar-se no espírito, gerando atitudes como soberba e inveja;
III) Mostrar que a regeneração espiritual é a base para uma vida de adoração
genuína, vivida "em espírito e em verdade".
B) Motivação: Estudar sobre o espírito humano nos ajuda a
compreender nossa verdadeira essência como seres criados para a comunhão com
Deus. Esse ensino fortalece a fé ao mostrar como a regeneração interior impacta
a santificação e a adoração.
C) Sugestão de Método: Para reforçar o ensino do primeiro
tópico, inicie uma leitura pausada e expressiva de Gênesis 2.7, destacando o
momento em que Deus sopra o fôlego da vida no homem. Em seguida, promova uma
reflexão com a classe, perguntando: "O que diferencia o ser humano das
demais criaturas?". Incentive os alunos a refletirem sobre a singularidade
do espírito humano e sua origem divina. Use recursos visuais, como um desenho
que represente corpo, alma e espírito, para ilustrar a tríplice composição do
ser humano. Finalize esse reforço, desafiando os alunos a pensar como estão
nutrindo sua comunhão com Deus, que habita e fala ao nosso espírito.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Essa lição nos convida a reconhecer a importância
de manter o espírito sensível à presença de Deus, buscando diariamente a
santificação e cultivando uma vida de adoração sincera e íntima com o Senhor.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista
que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições
Bíblicas Adultos. Na edição 103, p.41, você encontrará um subsídio especial
para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará
auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Alertas
Contra Distorções do Ensino Tricotomista", localizado depois do primeiro
tópico, aprofunda o assunto "O Sopro Divino: A Concessão do
Espírito"; 2) O texto "A Restauração da Imagem de Deus", ao
final do terceiro tópico, aprofunda o assunto "Espírito, Pecado e
Santificação".



