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A “ciência” da pandemia


Nessa pandemia, o termo “ciência” tem sido utilizado “ad nauseam”. Repetem a exaustão: “Ciência, ciência, ciência”, eu sou “pró-ciência”, e “por ela, nela e para ela” me guio e atuo.

Mas que “ciência” seria essa para qual apelam? E quem, em nome dessa “ciência”, estaria autorizado a falar? Ciência (sei que há controvérsias, pois cientistas divergem até sobre o seu significado) é “a busca desapaixonada pela verdade sobre o Universo e a vida”.

Mas por ironia, buscamos verdades que nem sequer sabemos como essas verdades seriam, ou onde estariam. Por isso, às vezes, por ironia, mesmo quando cientistas acham uma verdade de fato verdadeira, duvidam até de tê-la achado. Ziguezagamos literalmente no escuro em busca de soluções para os nossos problemas. Por isso, falamos às vezes que: “comer ovos é ruim, aumenta o colesterol; às vezes que é bom, coma à vontade”.

Quanto à hidroxicloroquina (HCQ), o embate científico inevitável entre teses fica nítido quando cientistas renomados por todo o mundo e no Brasil, como o virologista Paolo Zanotto (com 7,4 mil citações científicas) e os médicos Didier Raoult (com 148 mil citações), Philip M. Carlucci e Vladimir Zelenko, defendem seu uso baseados em estudos e artigos, enquanto outros, também renomados e baseados nos mesmos e em outros estudos e artigos, a condenam.

21/05/2020 - Ler Artigo Completo

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O “TEFLON” traz ou não riscos à saúde?

TEFLON - Ele foi inventado para uso em geladeiras. Acabou indo parar nas panelas – e no sangue de 98% das pessoas. O Teflon é onipresente, misterioso, polêmico. Mas, afinal, traz ou não riscos à saúde?
Em 1998, um fazendeiro de Parkersburg, West Virginia (EUA), relatou à polícia que suas vacas estavam agindo de maneira estranha. Elas cambaleavam, como se estivessem bêbadas. Uma espuma branca escorria pela boca dos animais, que tinham feridas no corpo e comportamento agressivo. Cerca de 150 vacas desse criador, Wilbur Tennant, morreram. Seis anos depois, um grupo de cientistas da Faculdade de Medicina Veterinária da USP publicou um artigo intrigante. Ele contava a história de cinco passarinhos cujo dono esquecera uma panela no fogão aceso. Felizmente, isso não provocou um incêndio - mas o dono dos bichinhos ficou perplexo ao constatar que, por algum motivo, todos os pássaros haviam morrido. As duas histórias têm um ponto em comum: em ambos os casos, os animais morreram por causa do Teflon. Desde a década de 1950, foram produzidos bilhões de utensílios de cozinha revestidos com esse material, criado pela multinacional americana DuPont.

É impossível fugir dele, inclusive porque já está dentro de você: um estudo publicado em 2007 por cientistas do governo americano constatou que 98% das pessoas tinham subprodutos do Teflon na corrente sanguínea1, que também já foram detectados até em tartarugas marinhas e ursos polares. Mas o que isso significa? Você deveria jogar fora as panelas da sua casa?

A lata de gás – e o pó branco
O Teflon foi descoberto pelo químico Roy Plunkett em 6 de abril de 1938, durante testes num laboratório da DuPont em Nova Jersey. Ele queria criar um gás refrigerante, que pudesse ser usado em geladeiras
como alternativa ao CFC (clorofluorcarbono) – um ato visionário, diga-se, considerando que décadas mais tarde o CFC acabaria banido por destruir a camada de ozônio. Plunkett pediu a seu assistente que trouxesse um cilindro de C2F4: tetrafluoroetileno,  um dos compostos que eles estavam testando.

Ao perceber que algo bloqueava a passagem do gás, Plunkett desparafusou a válvula e virou o recipiente de cabeça para baixo. Um pó branco e escorregadio deslizou sobre a bancada do laboratório. Aquela coisa estranha era politetrafluoretileno (PTFE), uma nova substância – que a DuPont viria a batizar de Teflon.

Ele é uma cadeia com várias moléculas de C2F4 polimerizadas, ou seja, grudadas como elos de uma corrente. O carbono fica no meio, e é totalmente rodeado por átomos de flúor – que não grudam em praticamente nada, dando ao material sua propriedade antiaderente. (Para que o Teflon se fixe no metal da panela, ela passa por várias etapas de cura em altíssimas temperaturas, acima de 400 graus. Também existem variações do PTFE desenvolvidas para revestir materiais como plástico e borracha, que são curadas em temperaturas entre 60 e 80 graus).

O PTFE e os outros compostos químicos perfluorados (PFCs) têm muitas aplicações. São usados em peças de carros e aviões, tapetes, mangueiras, lentes de contato, lâmpadas, próteses dentárias, embalagens de pizza e de pipoca para micro-ondas, além de roupas resistentes a manchas e impermeáveis. O Teflon também foi empregado na usina de enriquecimento de urânio do Projeto Manhattan – e até na bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão. É que, além de ser antiaderente, ele é extremamente estável: dificilmente reage com outras moléculas, e por isso resiste à maioria das substâncias corrosivas.

Mas o que realmente consagrou o material foi sua aplicação na cozinha. Panelas revestidas pela substância não só evitam que o ovo grude na frigideira como diminuem a quantidade de gordura necessária para o cozimento. Além disso, as panelas de Teflon são mais fáceis de lavar quando comparadas com as de alumínio ou de ferro. Entretanto, após décadas de simbolismo e sinônimo de praticidade, o Teflon foi parar no centro de uma batalha judicial.

A investigação revelou que a produção dessa substância tinha um lado bem perigoso para a saúde humana e o meio ambiente – e a DuPont sabia disso.

O caso das vacas
Quando suas vacas começaram a morrer, Wilbur Tennant, o fazendeiro de Parkersburg, suspeitou que a causa estivesse ligada ao riacho que cruzava suas terras. A água ingerida pelos animais poderia estar contaminada por resíduos da DuPont, que tinha uma fábrica ali
perto.  O fazendeiro procurou ajuda: falou com políticos, jornalistas, veterinários, advogados locais. Ninguém deu bola. A DuPont parecia controlar a cidade e seus 30 mil habitantes.

Desesperado, o fazendeiro foi até Cincinnati tentar falar com o advogado Robert Billot. Não parecia a escolha mais adequada. Billot trabalhava no Taft Stettinius & Hollister, escritório de Ohio especializado em defender grandes empresas químicas. Mas Wilbur, que conhecia a avó de Robert (ela morava perto de Parkersburg), não
tinha mais a quem recorrer. Ao ver fotos e vídeos das vacas envenenadas, o advogado aceitou o caso e topou entrar com uma ação judicial contra a DuPont. O ano era 1999.

A primeira reação da DuPont foi fazer um estudo sobre a fazenda de Wilbur – no qual alegou que as vacas tinham morrido de inanição, por desleixo do fazendeiro. O relatório era coassinado pela Environmental Protection Agency (EPA), a agência americana de proteção ao ambiente. Mas Robert não desistiu.

Intrigado com a misteriosa sigla “PFOA”, que aparecia em cartas enviadas pela DuPont às autoridades, o advogado pediu que a empresa compartilhasse todas as informações que tivesse a respeito. Forçada a isso por ordem judicial, ela enviou um caminhão de documentos para Robert: caixas e mais caixas de papéis, totalizando 110 mil páginas.

Eram arquivos sigilosos da DuPont, com relatórios médicos, estudos internos e anotações privadas dos cientistas da companhia. O advogado ficou meses mergulhado nos documentos, até fazer uma descoberta chocante. PFOA é ácido perfluorooctanoico, uma substância que a DuPont passou a comprar e usar em grande quantidade a partir de 1951 (não confundir com PTFE, que é o Teflon em si). Ela servia para dar estabilidade ao processo de polimerização e formação do Teflon. Em alguns documentos, a empresa chamava o PFOA de “C8” – referência aos oito átomos de carbono que formam sua molécula. Mas, independentemente do nome, a DuPont sabia que o PFOA era tóxico.

Em 1961, seus cientistas descobriram que o PFOA poderia aumentar o tamanho do fígado em ratos e coelhos. Em 1962, ela pediu a alguns funcionários que fumassem cigarros contendo essa substância, para avaliar sua toxicidade – a maioria foi parar no hospital. Mas a produção continuou. Na década seguinte, a empresa constatou que o sangue dos operários da fábrica de Teflon tinha altas concentrações de PFOA. Novamente, nada foi feito.

A multinacional 3M, que produzia e vendia a substância para a DuPont, chegou a alertá-la: informou que o PFOA tinha potencial cancerígeno, e mutagênico, em ratos – fêmeas prenhas expostas à substância geravam filhotes com olhos deformados. Por precaução, a DuPont tirou mulheres jovens da linha de produção do Teflon, sem explicar os motivos. Isso não impediu que os filhos de algumas delas apresentassem má-formação de olhos e narinas. As informações foram mantidas em sigilo por 40 anos e só vieram à tona depois do processo movido pelo fazendeiro – que morreu de câncer em 2010. O caso rendeu uma longa reportagem do jornal New York Times (e o filme Dark Waters: O Preço da Verdade, de 2019, baseado nela).

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O ácido e as panelas
Nos anos 1960, a DuPont até tentou dar um jeito nos problemas do ácido perfluorooctanoico. Em 1962, a empresa parou de despejar os rejeitos no rio Ohio e passou a guardá-los em tambores. O problema é que, com o tempo, os recipientes começaram a vazar. Na década de 1980, ela construiu um aterro sanitário para armazenar os subprodutos tóxicos do PFOA. Mas, aí, ele acabou entrando no lençol freático local, contaminando o riacho onde o gado de Wilbur Tennant se refrescava – e, também, a água que os moradores de Parkersburg bebiam.

O governo americano iniciou uma investigação própria sobre a substância, e o resultado saiu em 2002: sim, ela apresentava riscos à saúde humana. A DuPont foi multada em irrisórios US$ 16,5 milhões por ocultar informações e obrigada a suspender o uso do PFOA. Mas não ficou só por isso. Em 2011, o comitê científico formado pelo condado de West Virginia anunciou sua conclusão: “vínculo provável” entre o PFOA e câncer de rim, câncer de testículo, doença da tiroide, colesterol alto, colite ulcerativa e pré-eclâmpsia (hipertensão induzida pela gravidez). A DuPont contestou a conclusão dos cientistas e se dispôs a enfrentar as ações individuais movidas contra ela nos tribunais: cerca de 3.500 processos. Mas a empresa acabou fazendo um acordo coletivo, e em fevereiro de 2017 encerrou as ações pagando US$ 671 milhões de indenização.

“Em 2006, a DuPont assumiu o compromisso de eliminar o uso de PFOA, o que alcançamos em 2015”, afirmou a empresa em nota à SUPER. Hoje o Teflon é fabricado usando outra substância, desenvolvida pela Chemours, uma empresa criada pela DuPont. É o ácido de óxido hexafluoropropileno dímero, que a empresa batizou de GenX. Em 2017, um estudo feito pela Cape Fear Public Utility, a fornecedora de água da Carolina do Norte, detectou contaminação por GenX – cujos resíduos a Chemours estaria jogando num rio local. Em 2019, ela foi condenada a pagar uma multa de US$ 12 milhões, e parar de despejar os subprodutos no rio. A Chemours afirma que “um corpo significativo de dados demonstra que essas substâncias químicas alternativas podem ser usadas com segurança’’. Mas a conclusão é óbvia: a produção de Teflon tem consequências ambientais, e é possível que os operários das fábricas corram algum tipo de risco. Afinal, isso já aconteceu antes.

Mesmo com a aposentadoria do PFOA, cientistas acreditam que é quase impossível eliminá-lo definitivamente do nosso dia a dia. O composto é tão estável quimicamente que ainda estará na Terra depois que a humanidade deixar de existir. Por isso, ele e seus similares, como o PFOS (ácido perfluoro-octânicossulfônico) foram apelidados de “substâncias eternas” (forever chemicals).

Não à toa, eles se perpetuaram no sangue dos seres humanos – processo que pode ocorrer por inalação, transmissão pelo cordão umbilical ou aleitamento materno e, sim, pelo consumo de alimentos cozidos em panelas antiaderentes. Mas o grau de contaminação não chega nem perto ao nível daquele visto entre os trabalhadores da DuPont ou dos moradores da região de Parkersburg. “A quantidade de PFOA eventualmente liberada durante o processo de cozimento é ínfima. Para fazer mal, a pessoa teria que ingerir Teflon, o que não é o caso”, diz Cláudio Luis Frankenberg, professor de engenharia química da PUC-RS. Ou seja: comer alimentos preparados em panelas de Teflon (ainda que elas tenham sido produzidas antes de 2015, e possam conter resíduos de PFOA) não é prejudicial à saúde. Segundo o governo dos EUA, o nível médio dessa substância no sangue das pessoas é de 5 partes por bilhão (ppb), patamar teoricamente inofensivo – e muito abaixo dos 128 ppb encontrados em moradores de Parkersburg, ou os 8 mil ppb presentes em operários contaminados. Mas é essencial que as panelas sejam utilizadas de forma segura – o que não aconteceu naquele caso, citado no início deste texto, dos cinco passarinhos que morreram por causa de uma panela com Teflon.

“O PTFE, comercialmente conhecido como Teflon (...) é relativamente estável a temperaturas inferiores a 260 graus. Entretanto, acima de 280 graus sofre pirólise e libera, por degradação térmica, diversos gases tóxicos aos quais as aves são muito sensíveis”, afirma o artigo produzido pela Faculdade de Medicina Veterinária da USP.

No episódio analisado pelos cientistas, a panela ficou no fogão por muito tempo, até queimar – e o Teflon foi literalmente incinerado (260 graus é uma temperatura bastante alta, na qual os óleos de cozinha queimam e viram fumaça). As aves são mais suscetíveis do que nós a gases tóxicos, pois seus pulmões as absorvem muito mais rápido. (Daí a prática, comum até a década de 1980, de levar uma gaiola com canários para ambientes confinados, como minas. Se o pássaro morresse, era sinal de que os trabalhadores deveriam evacuar o local.)

Não se deve “preaquecer” as panelas de Teflon (colocar a panela ou frigideira vazia no fogo), nem permitir que elas continuem sobre a chama por muito tempo depois que o líquido dos alimentos tiver evaporado. E panelas que estiverem com a superfície antiaderente danificada ou descascando devem ser jogadas fora: junto com o lixo reciclável, para que tenham um destino ecologicamente correto e não
acabem contaminando o ambiente com ainda mais Teflon. Não que tenhamos muita escolha: ele já está em toda parte, inclusive dentro de nós. E vai continuar – para sempre.

Publicação: Uikisearch
💻 Site: www.uikisearch.org
Referência: SUPERINTERESSANTE edição nº 414 (ISSN 0104-178-9), ano 34, n° 4, pp. 48-53

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Como funciona um vírus?

Vírus - Um ser humano é construído por, no mínimo, 20 mil proteínas diferentes (há quem fale em 92 mil). 

Existe a queratina dos seus cabelos; a actina e miosina, que contraem seus músculos; a amilase, que começa a digestão do açúcar ainda na sua boca; a insulina, que controla o acesso desse açúcar às suas células... A lista é longa. Do mesmo jeito que as 400 mil palavras do português são feitas com um alfabeto de apenas 26 letras, nossas 92 mil proteínas são combinações diferentes de 20 pequenas moléculas chamadas aminoácidos.

Durante a digestão, na acidez do estômago, as proteínas de outros animais e plantas são quebradas em aminoácidos. Como palavras desmontadas em uma sopa de letrinhas. Depois, células do corpo todo usam esses aminoácidos como matéria-prima para montar suas próprias proteínas. Mas elas precisam saber as sequências certas. Para tanto, usam um dicionário de proteínas. O nome desse dicionário é DNA. Quando uma célula precisa de uma proteína, uma molécula chamada RNA mensageiro vai até o núcleo, abre o DNA, anota a receita e leva a anotação a uma estrutura chamada ribossomo, que monta a proteína.

Todo vírus é feito essencialmente das mesmas coisas que você: uma cápsula oca de proteínas e gorduras no interior da qual há um pedaço curtinho de material genético – que contém as receitas. (Quando você usa álcool gel ou sabão, destrói a cápsula do mesmo jeito que desmancha gordura de hambúrguer nas suas mãos).

Os vírus não fabricam suas proteínas
O problema é que, ao contrário de qualquer animal, planta ou bactéria, os vírus não fabricam suas proteínas por conta própria. Eles não têm a linha de montagem, o tal do ribossomo. O jeito é invadir um organismo – seja uma bactéria, seja um Homo sapiens – e sequestrar os ribossomos, fazendo com que eles fabriquem novas cápsulas virais em vez de algo útil para um humano, como queratina ou amilase. É por isso que os vírus só se reproduzem dentro de algum hospedeiro.

Sequestrar ribossomos
Para sequestrar ribossomos, primeiro é preciso penetrar em uma célula, que é protegida por uma membrana. Cada vírus dá um jeito diferente de atravessar a membrana, então vamos usar como exemplo a praga da vez:
os coronavírus que atendem pela sigla CoV.

A pandemia de Covid-19 é só a obra mais recente dessa família. Além de outras epidemias respiratórias, como a Sars, de 2002, e a Mers, de 2012, os coronavírus foram (e são) responsáveis por resfriados comuns também – junto com 200 e tantos vírus de outros tipos. Das sete linhagens conhecidas de CoV, quatro são quase inofensivas. Só causam alguns espirros.

A Coroa de Vírus
Corona, você já leu por aí, significa “coroa” em latim, porque o vírus tem a aparência de uma bola com uma coroa de espinhos. Esses espinhos, na verdade, não espetam. São só proteínas, que evoluíram para se encaixar como chaves nas fechaduras que ficam na membrana. Feito o encaixe, é só entrar.

Uma célula humana é algo realmente pequeno: você tem 37,2 trilhões delas, em geral tão minúsculas que no espaço de um milímetro cabem dez enfileiradas. Para entrar em uma célula, portanto, os vírus precisam ser cerca de cem vezes menores. Se um coronavírus particularmente gordo, com 160 nanômetros, fosse do tamanho de uma pessoa, a pessoa seria do tamanho da distância entre o Brasil e o Japão – 17 mil Km.

A Covid-19 (sigla para coronavírus disease 2019) começa quando o novo vírus acessa o nariz, a boca ou os olhos – pegando carona nas suas mãos ou suspenso no ar em gotículas de saliva após um espirro bem dado. Ele se aloja em um cantinho estratégico, a parede por
onde o muco escorre garganta abaixo. Os espinhos dele são ótimos em invadir as células dessa região. É na garganta que a maior parte dos casos de Covid-19, começa – e termina, com o vírus eliminado
pelo sistema imunológico.

Os sintomas, nesses casos, são leves: tosse seca para expulsar o invasor; febre baixa para matá-lo de calor (às vezes, nesses casos de eliminação rápida, rola uma dorzinha na cabeça ou na garganta).

Coronavírus dentro das células - Uma vez dentro da célula, o vírus começa a passar suas próprias fitas de RNA mensageiro pelos ribossomos. As organelas não percebem que a receita do invasor é uma cilada, e acabam gerando milhões de cópias das proteínas usadas para montar cápsulas de coronavírus.

As células se tornam fábricas a serviço do inimigo. No final, basta ao vírus colocar uma cópia do genoma dentro de cada uma dessas cápsulas e voilà: um novo exército está pronto. O vírus da Covid-19 não explode a célula para sair – como faz o ebola, por exemplo. Ele vence pela exaustão: a célula se dedica tanto a produzir as proteínas do corona que morre por não conseguir fabricar suas próprias proteínas.

20% dos casos de Covid-19 evoluem para um quadro mais severo, em que o vírus desce para os pulmões.

20% dos casos de Covid-19 evoluem para um quadro mais severo, em que o vírus desce para os pulmões. É que o sistema imunológico não gosta nada disso. “Assim como em outras doenças causadas por vírus, os sintomas vêm mais da resposta do corpo a ele que da atuação do vírus em si”, explica Jean Pierre Peron, imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

É a resposta vem pesada. Os vasos sanguíneos do pulmão se dilatam para que os glóbulos brancos cheguem mais rápido ao local da infecção. Isso causa dor e inchaço. O campo de batalha fica congestionado de destroços: células mortas no fogo cruzado se misturam às que já foram assassinadas pelo vírus. Mesmo se o sistema imunológico der conta de exterminar logo o exército de coronas, a gosma de células mortas que ficaram pode deixar lesões permanentes. Já se os seus anticorpos não derem conta, e o corona seguir sua série de assassinatos, os alvéolos acabam entupidos. Aí complica de vez. Isso impede a troca de gases com o ambiente. Se não houver ventilação artificial, o paciente morre de insuficiência respiratória.


A classificação dos vírus
Vírus não têm metabolismo, não comem, respiram ou excretam. Não se reproduzem sozinhos – precisam dos hospedeiros –, e não se locomovem por conta própria. A única razão da existência de um vírus é fazer mais de si mesmo. Ele é um pedacinho de informação genética
que se replica. A razão de sua existência, diga-se, é a replicação. Os vírus se replicam simplesmente porque os que não se replicavam bem deixaram de existir.

O biólogo David Baltimore criou o sistema de classificação mais aceito, que divide os vírus em sete tipos de acordo com as moléculas que cada um usa para armazenar sua informação genética.


O Vírus usa o próprio RNA
Os vírus, ao contrário de nós, não dependem necessariamente do DNA para guardar seu genoma. Eles podem usar o próprio RNA, que normalmente é só um burro de carga, para aquela missão mais nobre de guardar as receitas de proteína. Isso até facilita as coisas, pois permite sabotar o ribossomo direto, sem ter que transcrever DNA em RNA antes.

O RNA é uma molécula bem frágil (a seleção natural não optou pelo DNAà toa: se você vai salvar todas as informações sobre você mesmo em um pen drive, é melhor usar um bom pen drive).

“Frágil”, nesse caso, significa sofrer mutações com mais frequência. Esse defeito, porém, também é um trunfo: mutações frequentes ajudam o vírus a se adaptar muito mais rápido, e superar as novidades que as nossas células criam na corrida armamentista contra invasores.

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Publicação: Uikisearch
💻 Site: www.uikisearch.org
Referência: SUPERINTERESSANTE edição nº 414 (ISSN 0104-178-9), ano 34, n° 4, pp. 22-27

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