A Confiabilidade Histórica do Antigo Testamento


Confiabilidade” é a qualidade de ser fidedigno e verdadeiro. Será confiável o Antigo Testamento (AT) naquilo que afirma acerca dos tratos de Deus com a humanidade no Antigo Oriente Próximo?
Achados desse mundo antigo muitas vezes ilustram a realidade factual da história do AT.
1. História Primitiva

Memórias partilhadas representam uma prova da confiabilidade do AT. A antiguidade remota viu a passagem de incontáveis gerações humanas, mas estas gerações conservaram uma memória viva de eventos significativos. Por exemplo, outras culturas contaram histórias que são notavelmente similares ao Dilúvio de Noé. Esta é uma prova indireta da confiabilidade do AT. O esquema de Gênesis de documentar a criação e de listar dois grupos de oito a dez gerações representativas vivendo antes e depois do Dilúvio também encontra algo parecido na antiga literatura suméria e babilónica. Isto demonstra que o AT se ajusta às formas e práticas literárias do período que ele documenta. Finalmente, vidas longas como os 969 anos de Matusalém não constituem impedimento para a historicidade pessoal. Antigos documentos sumários afirmam que o rei (En)-me-bara-gisi reinou por 900 anos. O reinado de 900 anos não é crível, mas o rei (En)-me-bara-gisi não era fictício. Sabe-se que ele é histórico porque arqueólogos descobriram inscrições que trazem o seu nome. Era prática antiga comum “esticar” períodos de eventos verdadeiros e idades de pessoas que procediam de tempos primitivos.

2. História Patriarcal

Com Abraão, entramos na era dos patriarcas (ca 2000-1600 a.C.). Os registros históricos são mais abundantes a partir deste ponto na história. Os patriarcas criavam ovelhas e gado, percorrendo desde Ur (atual Iraque) até o Egito. Dados de Ur deste período registram grandes rebanhos de ovelhas, e isso combina com as descrições do AT. Arquivos de Mari mencionam Harã, onde Abraão chegou a viver. No período entre Abraão e Jacó, Canaã era uma terra de “cidades-Estado” independentes como Siquém, (Jeru) Salém e Gerar. Estes centros populacionais eram sustentados por pastagens, frequentadas por pastores locais e visitantes como Abraão e seus descendentes (Gn 37:12-13). “Textos de execração” egípcios fornecem evidência extrabíblica desta prática.
A guerra entre os reis cananeus e governantes orientais da Babilônia (Sinear, Elasar - ver Gn 14) e do Elão iraniano está em conformidade com este período. Os arquivos de Mari comprovam que este foi o único período em que forças do Elão chegaram a tal ponto a oeste e quando muitas alianças militares floresceram. Costumes patriarcais envolvendo coisas como casamento e formação de pactos refletem este período, e igualmente a soma de 20 peças pagas pela compra de José (Gn 37:28). Detalhes egípcios mencionados no AT (nomes pessoais, fomes mortais, a prática de “interpretação” de sonhos, etc.) combinam com aquilo que se aprende a respeito do Egito a partir de outras fontes antigas.

No Egito, os hebreus escravizados trabalharam para construir cidades como Ramessés e Pitom. Uma opinião é que isso ocorreu sob Ramsés II (1279-1213 a.C.). Outra opinião é que o Êxodo aconteceu por volta de 1446 a.C.

A arqueologia revela que Ramessés incluía estábulos de carruagens (ver Êx 14:25). Durante o êxodo do Egito, Deus não conduziu os hebreus pela vizinha rota norte para Canaã (cp. Êx 13:17-18), que estava infestada de postos militares egípcios, mas pelo monte Sinai, que fica com segurança ao sul do controle egípcio.

O pacto que Moisés mediou entre Deus e Israel no monte Sinai inclui características (introdução histórica, identificação de testemunhas, a menção de bênçãos e maldições pactuais) que refletem o uso conhecido nos séculos décimo quarto e décimo terceiro a.C., e o Tabernáculo (Êx 25:9; 26:1ss) repercutem uma longa tradição regional (c. de 2800-1000 a.C.) de construção de tendas sagradas e santuários. Por volta de 1209 a.C., o Israel tribal já estava em Canaã. A prova extrabíblica para isto é encontrada na Esteia da Vitória do Faraó Merenptah.

3. Israel Histórico

Após o período conturbado dos Juízes, Saul, Davi, e Salomão governaram Israel. “A Casa de Davi” é nomeada em uma esteia arameia de Dã, e igualmente na esteia de Mesa, rei de Moabe. Menos de 50 anos após Davi, o topônimo “Altos de Davit” (os egípcios usavam t para o d final) é incluído na lista geográfica da Palestina elaborada por Shoshenq I (“Sisaque” c. de 924 a.C.). O desenho do templo de Salomão refletiu tendências que eram correntes na vizinha Síria, embora a decoração do templo fosse modesta quando comparada. Os escritos de sabedoria de Salomão ajustam-se à sua época no formato e no conteúdo.

Após a morte de Salomão (930 a.C.), Israel e Judá se dividiram em dois reinos. Os assírios avançaram para o sul e estiveram em frequente contato com governantes hebreus. Consequentemente, Acabe e Jeú são mencionados em textos de Salmaneser III, enquanto seus sucessores mencionam Jeoás, Menaém, Peca e Oseias. Temos selos hebraicos que identificam servos de Jeroboão 11 e Oseias. De Judá, Jotão, Acaz, e Ezequias são incluídos em impressões de selos oficiais, enquanto registros assírios mencionam (Jeo) - Acaz, Ezequias e Manassés. Todos estes reis aparecem na mesma sequência e no mesmo período tanto no registro bíblico quanto no assírio.

Mesa de Moabe deixou uma esteia mencionando Onri e Acabe de Israel. Por sua vez, as narrativas em Reis e Crônicas mencionam, em períodos e ordem corretos, os seguintes reis do Egito: Shoshenq I [Sisaque]. Osorkon IV [Sô], Taharqa [Tiraca], Neco (II), e Hofra. Também são mencionados os govemantes assírios Tiglate-Pileser III, Salmaneser (V), Sargom (II), Senaqueribe, e Esar-Hadom. Finalmente, os govemantes babilônios Merodaque-Baladã (II), Nabucodonosor (II), e Evil-Merodaque são mencionados. Vários eventos são documentados tanto em fontes bíblicas como em externas através de 200 anos para Israel e 340 anos para Judá. As quedas de Samaria (722/720 a.C.) e de Judá (605-597 a.C.) são mencionadas em crônicas assírias e babilónicas respectivamente.


Temos descoberto tabuinhas com cotas de ração da Babilônia para o banido rei Joaquim de Judá e sua família de 594-570 a.C. O muito bem documentado triunfo persa, em 539 a.C., possibilitou que muitos exilados retornassem a Judá e reconstruíssem Jerusalém e seu templo, exatamente como diz o AT.

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Outros personagens bíblicos agora comprovados por meio de descobertas arqueológicas são: Samba-Iate I de Samaria, de acordo com um papiro aramaico; a família posterior de Tobias de Amom, conforme tumbas em Iraq al-Amir; e Gashmu/Gesém como um rei árabe em Qedar, segundo um vaso pertencente a seu filho Qaynu.

A historicidade do AT deveria ser levada a sério. Quanto ao próprio texto do AT, os Rolos do Mar Morto (c. de 150 a.C-70 d.C.) fornecem boa evidência de uma tradição de texto-essencial cuidadosamente transmitido por quase mil anos até aos escribas massoretas (c. de séculos oitavo e nono d.C.). Deste modo, o texto básico da Escritura do AT pode ser estabelecido como transmitido de forma essencialmente correta, e a evidência mostra que a forma e o conteúdo do AT ajustam-se às conhecidas realidades literárias e culturais do Antigo Oriente Próximo. Para Mais, ver K. A. Kitchen, On the Reliability of the Old Testament [Sobre a confiabilidade do Antigo Testamento].

Referências: KITCHEN, Kenneth A. A Confiabilidade Histórica do Antigo Testamento. Bíblia de Estudo King James 1611, Estudo Holman. Ano 2015, BV Filmes Editora

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