A Educação Cristã e a Tecnologia

Avaliar o atual contexto social, político, econômico, religioso e educacional da atualidade passa, inevitavelmente, pela análise do quanto a tecnologia tem influenciado cada uma dessas áreas. 

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Em um certo nível, a igreja evangélica brasileira, nas suas mais variadas ações, também tem sido tocada pelas transformações tecnológicas, mui especialmente nas que se referem aos meios de comunicação. Essa realidade se impôs de forma ainda mais acentuada com o isolamento social imposto pela pandemia causada pelo novo coronavírus, em que a manutenção das relações interpessoais passou a depender de recursos para comunicação virtual.

Diante da realidade na qual o mundo se encontra, o fenômeno das relações virtuais deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma necessidade. O protagonismo que os recursos tecnológicos desta natureza têm assumido na vida das pessoas afeta a educação, causando significativas transformações no processo do ensino-aprendizagem. Evidentemente que a educação cristã não está isenta dessas transformações, e os que por ela militam devem estar atentos quanto à sua realidade e os seus efeitos, com vistas à exploração do máximo de seus benefícios e à proteção de seus possíveis malefícios, a depender da forma e do propósito para o qual estes recursos são usados.


Os meios usados para a comunicação virtual possibilitam o que em tempos atrás era impensável, como uma aula dada por um professor, virtualmente. Por outro lado, estes mesmos recursos - se mal administrados - podem causar danos irreparáveis na formação cristã de uma pessoa. Com base nisso, além de reconhecer que os meios tecnológicos têm influenciado nas mudanças de abordagem da Educação Cristã, este artigo objetiva destacar o imprescindível papel do educador cristão no sentido de preservar os princípios que são inegociáveis desta importante tarefa da igreja.

O principal papel do educador cristão pode ser notado nas palavras de Paulo aos gálatas: "Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós" (Gl 4.19). Os que trabalham na educação cristã têm como objetivo gerar o caráter de Cristo em seus alunos e, conforme o texto paulino informa, trata-se de um processo doloroso e que requer esforço e dedicação. Nesse sentido, essa tarefa tem suas raízes na responsabilidade que a igreja tem de fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19-20).


Nessa esteira, é preciso refletir na figura do educador como a de um discipulador que deve ter condições espirituais e intelectuais para orientar, ensinar e conduzir novos discípulos de Cristo ao conhecimento das Escrituras, orientando-os sobre como esses ensinamentos devem refletir na vida prática, tendo em vista a necessidade de refletir o caráter de Cristo. A preocupação do genuíno educador cristão vai além da transmissão de conteúdos doutrinários, pois envolve também as mais variadas áreas da vida de seus alunos. Um forte exemplo disso são a preocupação e as orientações de Paulo a Timóteo, em áreas como saúde física (1Tm 5.23), questões emocionais (2Tm 1.7), doutrinárias (1Tm 4.16) e espirituais (1Tm 4.7).


Esse aspecto prático dos ensinamentos requer um relacionamento saudável entre educador e educando. Conforme se vê nas passagens bíblicas supracitadas, até certo ponto essa relação pode ocorrer à distância; no entanto, em algumas situações haverá a necessidade de encontros presenciais, conforme as palavras do próprio Paulo a Timóteo: "Procura vir ter comigo depressa" (2Tm 4.9). Com vistas a ampliar a compreensão sobre esse aspecto, é importante ressaltar que Paulo cumpriu sua responsabilidade como educador cristão com eficácia, ainda que à distância. As palavras do apóstolo em Romanos 1.11-12 atestam essa verdade: "Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados, isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado, pela fé mútua, tanto vossa quanto minha".

Com as palavras acima e por tratar-se de uma carta, fica evidente que Paulo a escreveu estando distante de seus destinatários; aliás, acredita-se que estava em Corinto, por ocasião de sua terceira e última viagem missionária. A Carta aos Romanos é uma das mais importantes que Paulo escreveu, contendo os principais fundamentos da fé cristã e da boa teologia, e isso foi possível ser transmitido à distância, por meio do recurso disponível na época, isto é, uma carta. No entanto, as palavras supracitadas demonstram que existem riquezas espirituais e experiências que dependem do convívio pessoal. Por exemplo, o apóstolo fala de "algum dom" e do ser "confortados" que seriam compartilhados pessoalmente; isto é, este dom diz respeito a algo além daquilo que ele estava compartilhando por meio da carta, enquanto que o conforto por ele mencionado só poderia vir a ser experimentado na convivência com os irmãos de maneira presencial.


Portanto, diante dos fatos aqui compartilhados, torna-se necessário refletir e reconhecer que os que trabalham na educação cristã, dentre outros desafios, são chamados a manterem o equilíbrio entre o uso dos recursos tecnológicos da comunicação dos dias atuais e a essência dos ensinamentos cristãos, isto é, aqueles princípios inegociáveis que lhes são inerentes. Para que isso seja possível, é imperativo que o limite entre essas partes seja bem definido e esteja bem claro aos educadores cristãos. Mas, afinal, qual é este limite?


A natureza da educação cristã é o discipulado, que por sua vez tem como objetivo o desenvolvimento do caráter de Cristo nos educandos. Enquanto esse objetivo estiver sendo cumprido, ainda que à distância, por meios tecnológicos de comunicação, não há razão para preocupar-se, embora seja necessário estar alerta, pois em algum momento impor-se-á a necessidade de que o educador e o educando estejam juntos e assim caminhem no sentido de alcançarem o objetivo dessa nobre tarefa.


Portanto, conclui-se que a tecnologia atual deve servir ao propósito da educação cristã de formar discípulos de Cristo, tendo o cuidado para não sujeitarmo-nos àquela, caso contrário poderemos nos tornar uma espécie de reféns. Destaca-se também que estes meios tecnológicos não devem suprimir a necessária relação saudável entre educador e educando, relação esta que deve ocorrer na vida prática com seus variados desafios, à medida que o caráter de Cristo é forjado naquele que é chamado a refleti-lo na sociedade.


Elias Rangel Torralbo - Pastor, escritor, mestre em Teologia, diretor executivo da FAESP - Faculdade Evangélica de São Paulo.

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